segunda-feira, 28 de março de 2011


"Bocas que percorriam os corpos, olhos que brilhavam cúmplices, suores que umedeciam os lençóis, aromas que invadiam o quarto, suspiros e gemidos que se ouviam longe. A cama batia na parede e eles riam de quem pudesse ouvir.

Ato consumado ele dormia espalhado, tranquilo. Ela tentava chorar baixo no banheiro, com o corpo ainda suado.

Sabia que não devia, mas a vontade era de pular em cima dele e bater com toda força para que nunca mais esquecesse.

Como alguém que poderia machucar quando quisesse seu útero preferia despedaçar seu coração?

Respirou fundo aos soluços, podia acordá-lo e pedir que explicasse. Mas não havia o que falar, estava tudo ali.

Quanta vergonha! Sabia que bilhetes guardados no armário em caixas, lá devem ficar."


Caio F.

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